O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), para defender o fortalecimento do multilateralismo, criticar o avanço dos conflitos armados e cobrar maior atuação dos países que integram o Conselho de Segurança da organização.
Em sua fala, Lula afirmou que as regras internacionais estão sendo colocadas à prova e declarou que “as concessões à lei do mais forte já passaram dos limite”.
O presidente também apresentou a soberania nacional como um dos pontos centrais de seu pronunciamento e afirmou que países devem ter autonomia para decidir seus próprios caminhos.
🌐 Lula defende reforma das instituições internacionais
Ao abordar o funcionamento da ordem internacional, Lula apresentou uma série de escolhas que, segundo ele, estão colocadas para os países.
“Agora, deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e unilateralismo. Democracia e extremismo. Soberania ou subordinação. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos”, disse Lula.
A defesa do multilateralismo está entre as prioridades brasileiras na 81ª Assembleia Geral. O debate deste ano reúne representantes dos 193 Estados-membros entre 22 e 28 de setembro, sob o tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
O Brasil também defende há anos mudanças na estrutura do Conselho de Segurança da ONU, incluindo a atualização de sua composição e de seu funcionamento.
⚔️ Presidente classifica guerras como falência da política
Lula dedicou parte do discurso à escalada dos conflitos armados no mundo.
Segundo o presidente, 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que trilhões de dólares são destinados a uma nova corrida armamentista.
“O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista”, afirmou.
Em seguida, Lula alertou para o risco de conflitos regionais assumirem proporções maiores.
“Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir”, cobrou.
🇧🇷 Soberania brasileira entra no centro do discurso
Outro eixo do pronunciamento foi a defesa da soberania brasileira e da autonomia dos países latino-americanos.
Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula afirmou que a proximidade da América Latina e do Caribe com “a maior potência militar do mundo” é inevitável, mas disse que essa relação não deveria resultar em interferência ou subordinação.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”, afirmou Lula.
Ao final, o presidente declarou que “a democracia brasileira pertence aos brasileiros” e que o Brasil continuará sendo um país soberano. “Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”, declarou.
A declaração ocorre em um contexto de atenção do governo brasileiro às relações com os Estados Unidos. A Agência Brasil havia informado, antes da viagem presidencial, que a defesa da não interferência em assuntos internos de outros países estaria entre os temas do discurso de Lula.
🚢 Críticas a operações militares na América do Sul
Lula também criticou o planejamento dos Estados Unidos de ampliar a utilização de drones militares MQ-9 Reaper na América do Sul.
O presidente afirmou que o Brasil não pretende terceirizar a responsabilidade pela proteção de suas fronteiras.
“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, disse Lula. “Precisamos de cooperação”, finalizou.
A fala ocorreu em meio às discussões sobre segurança regional e combate ao narcotráfico. O governo brasileiro também mantém negociações com os Estados Unidos sobre questões relacionadas ao enfrentamento do crime organizado. Em setembro, o Ministério da Justiça informou que o Brasil não estava entre os 23 países classificados pelos Estados Unidos como maiores produtores ou países de trânsito de drogas para o ano fiscal de 2027, embora o documento norte-americano tenha feito críticas ao país.
🚔 Combate ao crime organizado também foi abordado
O presidente afirmou que o Brasil pretende ampliar o enfrentamento às organizações criminosas.
“O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados, mães perdem seus filhos, policiais não voltaram para as suas casas. As pessoas estão cansadas da violência”, afirmou Lula.
Segundo o discurso, o Governo Federal enviou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma proposta integrada de combate ao crime.
A integração entre União, estados e municípios também tem sido defendida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública como estratégia para enfrentar organizações criminosas, com uso de tecnologia e cooperação entre as forças de segurança.
🕊️ Lula cita escravidão e “distorções históricas”
Outro ponto destacado no pronunciamento foi a aprovação, pela Assembleia Geral da ONU, de uma resolução que reconheceu o tráfico transatlântico de africanos escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”.
Lula afirmou que a decisão corrigiu o que chamou de “distorções históricas”.
O presidente também citou a aprovação de uma representação mais precisa do mapa-múndi, com menor distorção das dimensões relativas entre países do Norte e do Sul Global.
A participação de Lula ocorre no primeiro dia do Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral. Desde 1955, o Brasil abre tradicionalmente a sequência de discursos dos chefes de Estado e de governo no plenário da ONU.
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